Algumas vezes, a fonte dos ensinamentos tântricos que permite a aquisição de siddhis é considerada o Buda histórico, mas muitas vezes é atribuída a Vajradhara, também conhecido em algumas ocasiões como Vajradharma, que é o Professor metafísico. Talvez ele tenha revelado os ensinamentos diretamente ou tenha escondido-os para serem recuperados mais tarde, via intuição, visões ou sonhos.
Transformação
Já que o budismo tântrico usa o método da transformação em vez da supressão ou extirpação, os “apetites” como o desejo sexual não estão fora dos limites para praticantes avançados. De fato, os mais altos tantras trabalham com as energias do corpo para avançar o progresso de uma pessoa rumo à iluminação. Nem todos nesse caminho têm um parceiro, mas para alguns é uma vantagem. (Hoje em dia, um casal geralmente casa de acordo as normas sociais – mas casamento não necessariamente é visto como uma “necessidade espiritual”.)
Algumas vezes os tabus convencionais eram quebrados intencionalmente quando um parceiro sexual provinha de uma casta inferior ou não pertencia ao grupo. O mesmo acontecia com as profissões. Por exemplo, o jovem Brahman, Saraha, um dos grandes eruditos e poetas do budismo, vivia com sua namorada de casta inferior, que fazia flechas (trabalhando com as penas de pássaros mortos). Naropa, abade da universidade monástica de Nalanda, abandonou sua carreira para seguir Tilopa, o (aparentemente) louco asceta que vivia isoladamente em lugares de cremação com várias mulheres.
Uma vez que os tantras mais elevados promoviam atividades que não podiam ser praticadas nos mosteiros porque as regras monásticas (skt. Vinaya) proibiam-nos, quando mahasiddhas como Padmasambhava e Vimalamitra levaram o budismo tântrico para o Tibete no século oito, formou-se uma irmandade alternativa. Esses grupos foram estabelecidos sob a orientação de indivíduos como Nubchen Sangye Yeshe (9º. Século) que, em contraste com os monges do mosteiro Samye, vestiam-se como um xamã Bonpo. Foi ele que intimidou o Rei Langdarma com escorpiões. Na caverna de Drag-yang-dzang, sua purba, ou sua “adaga” mágica com três laminas, perfurou um rocha sólida como se fosse manteiga.
Nubchen era um praticante budista casado e realizado que também era um Lama (skt. Guru) e, além de ser um feiticeiro/mago, era um erudito e tradutor. Entretanto, seus ensinamentos baseados nos tantras mais elevados usavam simbolismo sexual e outras referências que não eram consideradas apropriadas – a sociedade Tibetana não é nada pudica, mas mostrar imagens como as usadas nos tantras elevados causavam ofensa.
Com o budismo sendo patrocinado pelo governo que pagava pela tradução e disseminação dos sutras, do Vinaya e dos comentários, e apenas até certo ponto dos tantras menores, qualquer professor de tantras elevados ou seus alunos tinham de ser muito discretos. >> próxima página
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