| Praticantes não monásticos da Yoga Budista.
Ngakpas (sngags-pa, aqueles que usam o mantra) são praticantes comprometidos e não monásticos da tradição tântrica budista.
Sabemos que nem todos os discípulos do Buda Sakyamuni são monges e monjas. O mercador Vimalakirti foi um debatedor tão reconhecido quanto o monge erudito Shariputra.
Estudiosos como Lamotte e Conze e o sociologista Weber sugeriram que um fator do desenvolvimento do budismo mahayana foi a tensão entre os bhikkus (monges) de manto vermelho escuro e os praticantes budistas que usam vestimentas brancas. Isso culminou com uma divisão no Conselho de Vaishali entre os Sthaviras (antigos) e os Mahasanghikas (grande assembléia) há mais ou menos 100 anos depois da passagem do Buda Sakyamuni.
O primeiro grupo (as dezoito escolas do Hinayana) defendiam que para obter a liberação do ciclo de nascimento e morte, uma pessoa deveria, em primeiro lugar, renascer como homem e assim tornar-se um monge. Os outros defendiam que a iluminação era possível para qualquer um, já que todos os seres humanos possuem uma inclinação inata para isso. (Poderíamos ir além e dizer que todos os seres sencientes têm a natureza búdica). Ambas as visões são tradições autênticas.
O budismo tibetano também absorveu, em especial, a tradição Mahasiddha. Esse é um movimento que talvez tenha se originado no sul da Índia, mas definitivamente alcançou seu pico no noroeste desse país, entre os séculos três e treze. Esses praticantes caracterizavam-se pelo reconhecimento do papel essencial das mulheres e sua singular devoção ao Guru. Sua atitude e prática talvez tenham se originado em escolas do Hinduísmo, como nas tradições de Shivaite e Shakti (inclusive a tradição Goraknath, ainda viva hoje no Nepal, é considerada tanto Hindu quanto Budista.). Por certo, os métodos de meditação e práticas que eles adotaram eram diferentes daqueles geralmente ensinados nos mosteiros da época.
Um siddha é um individuo (popularmente conhecido como yogui ou, na tradição Islâmica, como fakir) que por meio da prática de certos rituais e disciplinas psicofísicas obtém o reconhecimento de siddhis – habilidades extraordinárias. Muitos desses siddhas eram eremitas ou yoguis itinerantes, muito parecidos aos sadhus da Índia moderna.
Mahasiddha é a expressão sânscrita para um grande adepto. O termo se aplica apenas àqueles yoguis que demonstraram sinais indiscutíveis de sua realização. A tradição indiana mostra que existem oitenta e quatro desses, cuja graça preenchem o mundo (resquício da idéia judaica do Lamed Vav, os trinta e seis homens justos). Aqueles que obtinham realizações (e estavam dispostos a ela) geralmente aceitavam alunos e, quando também demonstravam a eficácia de seus ensinamentos, então, a linhagem era fundada. >> próxima página
Content goes here
|