Jardim do Dharma - Kagyü Dak Shang Chöling
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A TRADIÇÃO NGAKPA
 
 

O principal objetivo do ataque de Langdarma, depois do assassinato de seu irmão e sua reivindicação da soberania, era as instituições monásticas. Destruiu mosteiros e forçou os monges a casarem-se e abraçarem a religião Bön. Sua intenção também era destruir a sangha ngakphang, mas decidiu isolá-la. Tentou destruir o principal praticante ngakphang, mas quando enfrentou Vairochana, este mudou sua mente. Vairochana manifestou um escorpião do tamanho de um yak sobre a cabeça de Langdarma, e o Rei, aterrorizado, decidiu que se contentaria em submeter-se aos mosteiros. Depois da ascensão de Cho-gyal Ralpachen, seguiu-se um período durante o qual o budismo fez-se subterrâneo. Durante esse período, os lamas ngakphang mantiveram viva a linhagem Nyingma, razão pela qual são mantidas em altíssima estima na Escola Nyingma. Se não fosse pela sangha ngakphang, a linhagem Nyingma estaria morta. A história desse período é obviamente muito mais complexa e detalhada do que se descreve aqui, ainda que se espere que seja suficiente como introdução à nossa tradição.  


Esta é obviamente uma maravilhosa oportunidade para aqueles que são inspirados pelo budismo, ainda que sua personalidade não se harmonize com o celibato. Mas isso também possui um pouco de ameaça para quem vai ao budismo primariamente monástico, do que para quem considera como seu dever conservar a primazia do estado monástico no estabelecimento do budismo no ocidente. Muita gente considera que há unicamente duas possibilidades dentro do budismo: "monge" ou "leigo", e principalmente a opção "leigo" é vista como inferior, a menos que uma pessoa chegue a ser tulku tibetano, aqueles que tomaram os votos monásticos ou nunca os receberam. Mas "leigo" é uma palavra que tem sido usada por muitos budistas de língua inglesa para "não celibatário”. Isso é desafortunado, porque a definição real do dicionário para palavra “leigo” é “adj. 1. envolvido ou pertencente àqueles que não são do clero. 2. não praticantes ou não especialistas, amadores.”
Existem tanto tulkus celibatários quanto não celibatários, mas não existe "tulku leigo" ou "lama leigo". Não existe lama que possa ser considerado não praticante ou não especialista. São os Lamas quem sustentam ou a ordenação monástica ou a ordenação ngakphang, especialmente na tradição Dzogchen, mas não existem lamas leigos.


Usar o termo "leigo" para “não celibatário” também conduz à confusão quando se fala de ordens religiosas não celibatárias que não são budistas. Uma vez que a sensibilidade política aconselha cuidado com a língua, deveríamos prestar atenção ao inadvertido prejuízo inerente ao classificar praticantes não celibatários como "leigos". Tanto o judaísmo, quanto o cristianismo e o islamismo têm uma associação não celibatária, e seria altamente desrespeitoso classificá-los como não praticantes, não especialistas, ou aficionados não pertencentes ao clero.
A ordenação ngakphang baseia-se nos votos tântricos e, portanto é diferente em seu caráter da ordenação tomada por monges e monjas.

(adaptado da Revista Vision – Primavera 1996, N° 1).




 
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