Mantra a palavra sagrada
No mundo humano as emanações dos Budas e Bodhisatwas realizam uma grande atividade no ensinamento devido à causa das características evolutivas dos seres e sua sensibilidade.
O nascimento humano representa em efeito, a situação mais favorável para o desenvolvimento e o incremento dos ensinamentos mais profundos.
Em particular os ensinamentos tantricos que possibilitam uma transformação profunda da estrutura física, verbal e mental do individuo.
A transformação física se efetua através da identificação com a aparência da divindade, a transformação verbal pela recitação dos mantras e a transformação mental por estabelecer a mente em "samadhi". Isto não é realmente possível, mas que no mundo dos humanos, e é neste mundo que os Budas e Bodhisatwas podem aparecer e oferecer efetivamente seus ensinamentos. No que se refere ao mantras, há de dois tipos. Um primeiro grupo podem ser criados por seres que possuem inteligência e sabedoria transcendentes. Se os chama de "Mantra Nome" pois a parte central dos mesmos está constituída pelo nome da divindade ou um santo ao qual se implora e sobre o qual se medita.
Por exemplo, o mantra de Milarepa é "OM AH GURU HASA BENSA HUNG".
As sílabas OM e Ah estão colocadas ao principio, e a sílaba HUNG ao final; elas representam respectivamente o corpo a palavra e a mente, e são comuns a todos os mantras.
A sílaba OM está associada ao corpo "vajra" ou seja, o corpo imutável.
A sílaba AH está associada à palavra "vajra" e a sílaba HUNG à mente vajra.
Guru significa Lama ou mestre espiritual, HASA BENDSA ou HASA VAJRA é um termo sânscrito traduzido em tibetano por "Shepa Dordye". Hasa significa alegria e Vajra é imutável, este era o nome tantrico de Milarepa. Desta maneira, pela só repetição deste mantra se está invocando a Milarepa.
Para citar outro exemplo, podemos tomar o mantra de Vajrapani: "OM VAJRA PANI HUNG", em sânscrito ou "OM BENSA PANI HUNG". Aqui estão escritas somente as sílabas do corpo e da mente imutáveis, e no meio o nome da divindade Vajrapani como o componente da palavra.
Existem numerosos exemplos deste tipo de mantras que poderíamos chama-los de "fabricados". Isto não quer dizer de forma alguma que possamos começar a criar mantras pois não possuímos ainda a sabedoria suficiente. Um mestre espiritual pode criar este tipo de mantras que serão completamente válidos, pois estão compostos unicamente a partir de silabas existentes e do nome da divindade ou santo que é invocado.
No caso do segundo tipo de mantras, estes, podem ser criados apenas por Bodhisatwas da oitava, nona ou décima terra, ou completamente iluminados. Esta categoria de mantras provêem somente deste alto nível de experiência. E impossível que um ser de realização inferior pudesse criar este tipo de mantras e, se isto ocorresse, coisa que será muito rara, o mantra não funcionará em absoluto.
Com efeito, um individuo que não tem a realização, nem a compreensão da natureza dos fenômenos, da natureza da realidade, é simplesmente incapaz de criar um mantra especifico, com um fim especifico e que seja eficiente. Pelo contrario, para um Bodhisatwa de excelentes qualidades é possível gerar este tipo de mantras que serão eficazes em relação à finalidade planejada.
Este ser possui, com efeito, uma compreensão total e precisa de todos os elementos da situação.Um ser que tem realizado a primeira terra de Bodhisatwa é muito diferente de nos, não é um ser ordinário dado que tem uma compreensão muito precisa da natureza da mente. Sua compreensão possivelmente não seja total, porém é estável. Possui uma grande liberdade interior que lhe permite se expressar com total independência.
Neste nível, que poderíamos chamar inicial de realização, a mente pode manter num só instante cem estados de concentração meditativa, sem ser perturbada ou extraviada. Assim mesmo este ser pode encontrar nu só instante cem Budas, experimentar cem terras puras, emanar-se de cem formas diferentes, trabalhar para o bem de cem seres diferentes, lembrar cem vidas passadas e olhar cem estados de existências futuros, etc. Todo isso o pode fazer num só instante. Porém incluso com este extraordinário nível de realização muito avançado, não pode criar mantras desta segunda categoria, pois lhe falta a sabedoria necessária.
Os poderes e qualidades inerentes à primeira terra de Bodhisatwa multiplicam-se por dez no nível da segunda terra de Bodhisatwa e se desenvolve a capacidade de manter mil estados de concentração num só momento. As qualidades e poderes multiplicam-se por dez em cada terra, porém, incluso a realização ligada à sétima terra não permite que um mantra apareça espontaneamente, e dizer, não se pode criar um mantra incluso a partir deste estado de consciência. Na oitava, nona e décima terra de bodhisatwas, chamadas as três terras puras, são obtidas qualidades que se denominam a capacidade de controle ou poder. Estas capacidades são dez. O Bodhisatwa começa a ter domínio sobre a duração da vida, as condições do renascimento, o karma, a riqueza, o poder de realizar atos puros, etc. Por exemplo, um ser de qualquer destas três terras puras tem controle sobre seu renascimento. Isto significa que pode renascer no mundo que deseje, seja dentro ou fora do samsara ou em qualquer reino puro, aí donde seja necessário.
Assim, o único que tem que fazer é tomar a decisão de renascer nesse lugar particular e o nascimento se produz. Ter o poder de realizar desejos puros significa que pode realizar imediatamente o anseio que aparece na sua mente. O Bodhisatwa que tem o poder sobre as riquezas possui a capacidade de produzir uma chuva contínua de riquezas. Enquanto ao poder sobre o karma, este ser tem a capacidade de eliminar, ou pelo menos diferir o karma negativo de um individuo de tal maneira que este não experimente o resultado karmico imediatamente como deveria faze-lo. Este tipo de poderes começa a ser manifestado a partir da oitava terra e se desenvolve ao longo da nona e décima terra. Estas qualidades se tornam mais vastas e profundas a medida que o bodhisatwa progride. Para os seres que tem atingido estas terras puras, se efetivam quatro estado de consciência puros e preciosos.
1) Este é o conhecimento puro e precioso dos fenômenos do samsara e do nirvana, de todas as formas de experiência.
2) Este é um conhecimento puro e precioso da causalidade, é dizer, das causas e condições que produzem o samsara e o nirvana. Este Bodhisatwa pode observar claramente como os diferentes fatores de uma situação levam a um resultado particular. Pode olhar o sentido da situação em seu conjunto e ao mesmo tempo ser consciente das partes.
3) Este conhecimento refere-se à comunicação através do som e a linguagem, e a capacidade de produzir uma ação benéfica pelo emprego habilidoso do som. Graças a este particular estado de consciência, os sons e as palavras que emite um Bodhisatwa agem eficazmente em certas esferas de existência.
4) Este tipo de conhecimento permite reconhecer o processo karmico, o resultado de uma ação cometida, tem a capacidade de olhar o vínculo entre a causa e o efeito.
Alguns mantras originam-se na palavra de um Buda completamente desperto. Por exemplo, quando Buda Sakyamuni enunciou um mantra por primeira vez se converteu num instrumento infalível para a prática espiritual, pois surgia de um estado de consciência completamente desperta. Em ocasiões, Buda pode sugerir um mantra através de uma meditação, transmitindo sua benção ou sua influencia espiritual a um ser especial que pronunciará o mantra. Se ocorrer realmente assim, o mantra surgido desta inspiração converte-se num instrumento autentico para a prática espiritual. Noutros casos, se diz que os mantras não surgem da boca de um Buda e sim de diferentes partes de seu corpo, como, por exemplo, sua protuberância craniana. Desta maneira, algumas pessoas podem escutar o som do mantra que surge do corpo de um Buda, porém não de sua boca. Estas vivrações ou sons são considerados como instrumentos autênticos e infalíveis para o progresso espiritual pois provem da mente iluminada de Buda.
Alguns mantras associados a certas divindades não tem sido transmitido em forma verbal senão através da vibração sonora produzida pelo Buda em meditação. Este som é muito doce e melodioso como o canto de um pássaro. O nome das divindades às quais refere-se com estes mantras habitualmente começam com a palavra "Uknisha"em sânscrito ou "Tsuktor"em tibetano. Sabe-se que a cinco ou seis divindades deste tipo. Por exemplo, "Namgyelma", uma divindade de longa vida, tem como nome "Uknisha Vijaya" em sânscrito e "Tsuktor Namgyelma" em tibetano. Uknisha alude à protuberância craniana de Buda, como a origem miraculosa deste mantra. Ou seja, não é um mantra que Buda tenha pronunciado verbalmente.
Também em alguns sutras encontram-se mantras. No Sutra da Grande Libertação há um mantra longo que começa com a invocação "Namo Budhaya, Namo Dharmaya, Namo Sanghaya" que foi enunciado por Buda quando ensinou este Sutra e recopilado como parte dos discursos que Buda pronunciou. Existe também o famoso mantra conhecido com o nome de "Mantra Gate", é muito célebre nas tradições Budistas tibetanas e japonesas; "TADIATA OM GATE GATE PARAGATE PARA SAM GATE BODHI SOHA". Foi pronunciado quando o Buda abençoava ao Bodhisatwa da compaixão Arya Avalokiteswara, inspirando-lhe este mantra.
A cena está descrita no Sutra do Coração: o Buda estava em Samadhi e a través de sua influencia espiritual inspirou ao Bodhisatwa Avalokiteswara para que ensinara este mantra aos outros. Assim ouve uma transmissão direta de Buda através do Bodhisatwa. Em todos estes casos trata-se de mantras autênticos surgidos da realização de Buda.
Função dos mantras
A primeira função que cumprem os mantras é a de purificar-nos do véu da negatividade da ignorância, e por outra parte desenvolver em nos qualidades positivas. Acrescentar o mérito e nos acercar ao despertar.
Alguns mantras estão particularmente associados aos aspectos de nossa existência. Seja a prolongação de nossa vida, a purificação de nossas enfermidades, impedir á mente de cair nos estados inferiores, ou eliminar o medo e a ansiedade, etc.
Porem em geral podemos dizer que todos os mantras tem o mesmo objetivo, eliminar o sofrimento e a confusão, e nos conduzir até o despertar. Por exemplo, existe um mantra muito longo, o de Amitayus; este tipo de mantra é chamado de "Dharani" que em sânscrito quer dizer mantra longo e que possui uma estrutura gramatical própria. No Sutra de amitayus, "O Buda da Vida Infinita", se diz que seu dharani tem sido enunciado por Amitayus mesmo, em seu aspecto de "Corpo de Felicidade", Sambogakaya. Outorga um grande beneficio a aquele que o recita, pois purifica às pessoas do karma que poderia resultar num renascimento nos estados inferiores de existência, ter uma vida curta ou enfermidades, etc. É muito benéfico recita-lo para que o escutem os animais selvagens e domésticos, pois se eles o escutam obtém um proveito espiritual; sua mente se purifica de tendências karmicas que o retém neste estado inferior que poderiam leva-lo ainda a estados mais inferiores num futuro. Pelo tanto o só fato de escutar o som é muito benéfico para os seres a um nível ou outro, incluso se não são conscientes experimentarão os benefícios num futuro.
Tomemos como exemplo o mantra de cem silabas de Vajrasatwa.Estas cem sílabas são as sílabas geradoras das cem divindades "pacificas e coléricas" do Bardo. De esta maneira, as cem divindades estão representadas potencialmente nas cem silabas deste mantra. O mantra tem uma certa estrutura gramatical e uma pessoa versada na língua sânscrita e sua sintaxe podem traduzi-lo como uma prece a Vajrasatwa. Porém o significado último destes sons, além do nível conceitual e gramatical, pode ser compreendido por um ser que tem a sabedoria de um Buda completamente Iluminado. O sentido destas sílabas permanece impenetrável para aquele que não tem realizado a experiência do despertar. Porém, recitar o mantra com fé e confiança permite receber seus benefícios, ainda que não se tenha uma compreensão intelectual ou uma percepção direta.
Tem se dito que o mantra de cem silabas de Vajrasatwa tem o poder de nos purificar de qualquer falta cometida contra os vínculos iniciaticos, se o recitamos vinte e cinco vezes por dia sem interrupção. Ademais pode purificas as infrações cometidas conscientemente ou inconscientemente.
Vejamos agora o mantra "OM MANI PEME HUNG" que é o de Avalokiteswara ( Chenresig), o Bodhisatwa da compaixão. Recitar este mantra é importante a vários níveis. A seis silabas do mantra podem eliminar os "seis venenos" das emoções perturbadoras da mente, fechar as portas dos renascimentos nos seis estados de existência samsárica, aumentar os méritos, desenvolver e aperfeiçoar as seis Paramitas. A recitação destas seis silaba é eficaz a todos estes níveis. Estar em contato com este mantra "OM MANI PEME HUNG" seja pela audição, pela visão, a recitação, o pensamento, o tato - por exemplo, tocar as formas de suas letras gravadas - transmite uma grande benção e outorga os benefícios que provem do poder inerente deste mantra. Incluso se um animal escuta o som do mantra, ele terá ao nível de sua consciência uma influencia libertadora. Este ser será libertado dos estados inferiores, e estabelecido num renascimento humano, em contato com o Dharma; e progredirá no caminho da iluminação. O Buda tem dito: "Pode-se pegar todos os grãos de areia contido em todos os oceanos e em todos os rios do mundo, o Buda poderia canta-los, porém não se pode conceber os benefícios de uma só recitação deste mantra".
Existem textos onde estão compilados numerosos mantras e dharanis provenientes de diferentes fontes, sejam eles Sutras ou Tantras, etc. Um destes textos é conhecido com o nome de "Ngak Bum" que em tibetano quer dizer "cem mil mantras". Ainda que na realidade não tenha cem mil mantras é um nome genérico para significar que nele encontram-se os mantras mais importantes, pronunciados e inspirados por Buda, ou que tem aparecido de uma maneira autentica. Para aqueles que estejam interessados em praticar sua recitação, lhes proponho receber um "lung"de um Lama qualificado.
Podem grava-los e escuta-los na sua casa da mesma maneira que escutam música, porque também é benéfico.
Um dos principais discípulos de Buda era um Arhat chamado Sariputra. Sua mãe ainda estava com vida quando ele atingiu a realização do estado de Arhat. Porém sua mãe não possuía nem compreensão nem vontade de estudar o Dharma, e seu filho ficou muito preocupado por esta situação. Ele queria que sua mãe estuda-se e se interessasse pelo Dharma a fim de obter todos os seus benefícios. Porém o estudo não lhe gostava. Então Sariputra colocou em andamento um meio hábil: suspendeu um sino sobre a porta de entrada de sua casa e lhe falou a sua mãe: "tenho colocado uma nova regra a partir de hoje nesta casa, cada vez que alguém entre em nossa casa e escutes o som, deverás falar "Om Mani Peme Hung" e todos aqueles que escutem o som deste sino deverão fazer o mesmo". A partir daquele momento, cada vez que alguém entrava na casa e fazia soar o sino "ding", a mãe falava "Om Mani Peme Hung". Desta forma ela criou o hábito pelo resto de sua vida.
Ao morrer suas tendências karmicas predominantes eram muito negativas, a tal ponto que renasceu num mundo infernal. Encontrava-se perto de um enorme caldeirão que continha metal fundido e onde ia ser jogada e queimada viva. Um demônio que se encontrava ao seu lado mexendo no líquido com uma enorme concha golpeou com violência a borda do caldeirão produzindo o som igual que o sino que ele tanto escutara "ding" imediatamente devido ao seu habito que ela tinha adquirido falou o mantra "Om Mani Peme Hung" e foi num instante liberta desse estado infernal e tomou nascimento num reino superior.
Esta é uma maneira de ajudar diretamente a um ser humano, animal ou outro. Escuta-se o som do mantra "Om Mani Peme Hung" isto não pode lhes fazer nenhum dano, senão pelo contrario lhes será de grande beneficio.
Desta forma, podemos ajudar muitos a todos os seres e contribuir muito rapidamente ao seu desenvolvimento espiritual.
Mantras específicos
"OM AH GURU HASA BENSA HUNG"
Mantra de Milarepa, este é o grande santo que atingiu o completo despertar numa vida. Sua recitação desenvolve a diligencia e o fervor na prática.
"OM BENDSA PANI HUNG"
Mantra de Vajrapani, é a personificação do poder dos Budas. Sua recitação permite desenvolver a coragem na ação para o bem de todos os seres.
"NAMO BUDHAYA - NAMO DHARMAYA - NAMO SANGHAYA"
Recitando este mantra de homenagem ao Buda, o Dharma e a Sangha, tomamos refugio para nos proteger dos sofrimentos do samsara.
"TADIATA OM GATE GATE PARAGATE PARA SAM GATE BODHI SO HÁ"
E o mantra da Prajnhaparamita. Sua recitação aumenta a inteligência, permite eliminar o apego ao ego como uma entidade individual dotada de existência própria e realizar que os fenômenos estão vazios de natureza própria.
"OM MANI PEME HUNG"
O Mantra de Avalokiteswara, personificação da compaixão. Sua recitação elimina os sofrimentos e permite atingir a paz mental.
"TADIATA OM MUNI MUNI MAHAMUNAYE SO HÁ"
O mantra de Sakyamuni, o Buda histórico. Tem sido dito que se uno recita este mantra uma só vez os atos negativos de 80000 kalpas são purificados.
"OM AMI DEWA HRI"
O Mantra do Budha Amitabha, permite desenvolver um amor infinito para todos os seres.
"OM AMARANIDSI WENTIYE SO HÁ"
O mantra de Amitayus, o Buda da Longa Vida que permite obter longevidade para poder ajudar a todos os seres.
" OM ARA PATSANA DHI DHI DHI"
E o mantra de Manjursi, personifica a sabedoria dos Budas. Sua recitação permite realizar as qualidades desta sabedoria.
"OM HÁ HUNG BENSA GURU PEMA SIDHI HUNG"
Mantra de Padmasambhava ( Guru Rimpoche) que permite afastar os obstáculos e receber os benefícios ordinários e último; o insuperável despertar.
"OM BENSA SATO HUNG"
É o mantra curto de Vajrasatwa aspecto purificador dos Budas. A recitação deste mantra e a prática de sua meditação formam às práticas "preliminares específicas" do Vajrayana. Permite purificar rapidamente os véus que cobrem a natureza pura da mente.
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A impermanencia
A meditação sobre a impermanência tem o poder de diminuir nosso apego a esta vida e de estimular a prática da virtude.
A impermanência do Universo.
O Universo se nos apresenta como sólido e firme, porém ao termino de um ciclo cósmico será destruído gradualmente pelo fogo, água e ar.
A impermanência manifesta-se igualmente na evolução do tempo, com a mudança progressiva das quatro estações. Na primavera, a terra de cor morena avermelhada, se enternece e brotam arvores e plantas; quando chega o verão, o terreno de cor verde azulado, torna-se úmido; expandem-se flores e folhas; depois a força do outono fortalece o solo, que se torna de cor ocre, e os frutos maduram; finalmente, ao aparecer o inverno, a terra se congela torna-se cinza, as arvores e plantas se secam e tornan-se quebradiças.
Nada á que seja permanente; o sol e a lua aparecem e desaparecem continuamente; o dia é claro e transparente, porém depois vem a noite que é escura e fosca.
Todo muda de hora em hora, minuto a minuto, de instante a instante, como o curso de uma cascata que, ainda que nos pareça sempre o mesmo, está porem mudando continuamente ao se renovar incessantemente à água.
A impermanência de todos os seres
Todos os seres do universo são mortais; os que pertencem ao passado estão mortos, os que pertencem ao presente morrerão, os que pertencem ao futuro morrerão.
Nos mesmo de ano em ano, hora trás hora, minuto após minuto, nos aproximamos do momento de nossa morte. Por muito valentes que sejamos não poderemos evitar a sua parecença. Por muito rápido que sejamos ao correr não poderemos fugir dela; por muito erudito que possamos ser, nossas hábeis palavras e eloqüência não mudará em nada sua realidade.
Nem o heroísmo de um exercito, nem a influência dos poderosos, nem nenhuma arma refinada, nem a astúcia dos espertos, nem o corpo de uma mulher bela, saberiam como evitar a morte, da mesma maneira que ninguém saberia deter, nem sequer reduzir, a marcha do sol quando desaparece detrás das montanhas.
Ninguém sabe quanto tempo viverá; alguns morrem no ventre de sua mãe; outros ao nascer, outros na infância, alguns na sua juventude, outros na sua velhice.
Também é incerto o que ocasionará nossa morte, e ninguém sabe qual será a sua causa; ela poderia sobrevir mediante o fogo, a água, o vento, o raio, a queda num abismo, um desprendimento, o afundamento de uma casa, uma arma, um veneno, um demônio, uma crise repentina, uma enfermidade....
Esta vida é frágil como a chama de uma vela no vento, como uma borbulha de ar na água, ou um pingo de orvalho na erva.
Quando a morte vem para nos, sem nosso desejo, nos vemos obrigados a abandona-lo tudo sem pretende-lo no mais mínimo: nossa terra, nossa casa, nossas riquezas, nossos parentes, nossos pais, amigos, filhos, conjugue; e, tendo incluso abandonado nosso próprio corpo, nos encontra sozinhos, sem liberdade e sem amigos, neste espaçoso lugar chamado Bardo. (o estado intermediário entre uma morte e um renascimento).
E uma vez mortos, incluso aqueles que nos amavam negar-se-á a que nosso cadáver permaneça diante de seus olhos por mais um dia ou dois; olhando-o não experimentarão mais do que desgosto e temor. Seremos transladados pelas pessoas e uns vês tendo saído de nossa casa, nosso corpo será cremado, ou enterrado e ninguém nunca jamais voltará a nos olhar.
E preciso pensar que todo isto também nos chegará a nos. Desde agora devemos aplicar-nos na prática do Dharma de uma maneira perfeitamente pura, porque nesse momento os únicos amigos que nos poderão ajudar e proteger são o Lama e as Três Jóias.
Pensemos que além destes nossos amigos estaremos sob a influência do Karma, benéfico o prejudicial segundo se proceda da virtude o do vicio.
A impermanência de todo o que nos rodeia.
Em geral todo o composto é impermanente; também nosso corpo o é pelo fato de ser o resultado da união de diferentes elementos; bons ou maus Karma, semente paterna e sangue materno, os quatro elementos, espaço e principio consciente.
O que está acima vá para baixo
E o que está abaixo vá para cima.
O rico chega a ser pobre,
E o pobre rico.
O inimigo torna-se amigo,
O amigo inimigo.
Nada existe cuja natureza seja permanente;
E, tomar como permanente, o que é transitório,
Não é mais do que uma ilusão de loucos.
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A Doutrina dos três corpos de Buda
Todos os Budas tem três corpos, obtidos a partir da imensa quantidade das duas acumulações de karma positivo e supremo conhecimento que tem reagrupado ao ter o espírito do despertar e ao praticar as seis virtudes transcendentais.
Destes três Corpos dois são formais: O Sambogakaya ( Lit. Corpo de Gozo) e o Nirmanakaya ( Lit. Corpo de emanação). Estes dois corpos formais são particularmente o fruto em plena madures karmicas, de toda acumulação de karma positivo que foi reagrupado pela fé nos seres superiores e a compaixão para com os inferiores.
O Terceiro corpo dos Budas é informal; é o Dharmakaya ( Lit. corpo do Dharma). É mais particularmente, o fruto imaculado da acumulação de supremo conhecimento que se fez, meditando sem nenhuma distração, num estado de absorção desprovido de toda concepção.
O Dharmakaya reside no palácio do Domínio infinito que o abrange tudo ( Dharmadatu) chamado Omine. Penetra tudo, tanto o Samsara como o Nirvana e transcende todas as categorias emanadas do espírito.
O Sambhogakaya aparece por intermédio de um suporte formal (o aspeto de uma divindade) diante dos Bodhisatwas do décimo grau.
Devido à conjunção de dois fatores, a própria aparição dos Budas e o karma positivo dos Bodhisatwas, recebem o nome de Sambhogakaya.
O Nirmanakaya pode ser de tres tipos. Primeiramente estão às emanações que disciplinam neste mundo, (segundo o Dharma) aos seres que devem selo, por meio de diferentes atividades tradicionais. Recebem o nome de emanações que se manifestam num oficio.
Logo estão as emanações de nascimento que disciplinam aos seres tomando formas variadas; humanas para os homens, animais para os animais. Finalmente estão as supremas emanações que são as que operam ( como o próprio Sakyamuni) para o beneficio de todos os seres através dos doze atos que menifestam-se da seguinte forma.
1) Abandonar o céu de Tusita, 2) entrar numa matriz, 3) nascer, 4) estudar as ciências e artes tradicionais, 5) tomar uma mulher, 6) renunciar ao mundo, 7) praticar o ascetismo, 8) sentar-se baixo a arvore Bodhi, 9) ser o general dos exércitos de Mara, 10) atingir a iluminação, 11) Girar a Roda do Dharma, 12) Ir ao Nirvana.
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As qualidades dos Budas
O espírito dos Budas tem qualidades incomparáveis, não existe nenhum objeto de conhecimento do samsara, do nirvana ou do caminho que conduz do primeiro ao segundo, que não conheçam intuitivamente nem vejam diretamente através de seu supremo conhecimento.
Os Budas também tem um intenso amor não discriminante que continuamente mantém seu olhar sobre todos os seres com uma compaixão tal que os toma a seu cargo, qualquer que seja e estejam onde estejam, sem nenhuma parcialidade nem apego. A isto se lhe chama de Amor compassivo.
Ademais, as atividades divinas de todos os Budas manifestam-se sem fim e sem interrupção, disciplinando a todos os seres com o emprego de todos os meios apropriados para cada um e operando para beneficio de todos eles, tanto se a relação que tiveram com ela tenha sido positiva ou negativa.
Pelo poder da graça desta atividade divina, a fé, a devoção, o amor bondoso, a compaixão, etc, se acrescentam no espírito de todos os seres, chegando a conhecer a vacuidade de todo Dharma, tanto objetivo como subjetivo. Estes percebem assim o caráter ilusório de todas as coisas e deixam de se apegar as mesmas.
Aplicando-se a deixar permanecer o espírito no estado de tranqüilidade ( Samatha) e a reconhecer sua verdadeira natureza por meio do olhar penetrante ( Vipasyana) atravessam as seis e dez virtudes transcendentes ( Paramitas) os dez graus de Bodhisatwas e as cinco vias da realização, atingindo assim o estado de Buda.
A este poder que tem os Budas, graças a sua atividade divina, de dar refugio aos seres que temem o sofrimento do ciclo de existências e de estabelece-los no estado de Buda, se lhes chama o Poder de Refugio.
Outras qualidades dos Budas e dos grandes bodhisatwas
a) Podem viver tanto tempo quanto quiserem. Este é seu poder sobre a vida.
b) Podem permanecer em qualquer tipo de Samadhi. Este é seu poder sobre o espírito.
c) Podem fazer cair sobre os seres preciosas chuvas de riquezas e manjares. Este é seu poder sobre os bens materiais.
d) Podem afastar temporalmente um karma que deveria ser experimentado. Este é seu poder sobre o Karma.
e) Permanecendo no estado de Dhyana podem nascer desprovidos de toda mancha no mundo dos desejos. Este é seu poder sobre o nascimento.
f) Se quiserem podem transmutar qualquer dos quatro elementos em não importa qual dos demais. Este é seu poder da Vontade.
g) Para o bem de todos os seres e o seu próprio bem, podem fazer que se realizem seus sublimes desejos. Este é seu poder de preces e desejos.
h) Podem manifestar, para o bem de todos os seres incomensuráveis milagres. Este é seu poder sobre os milagres.
i) Possuem este conhecimento imediato que lhes proporciona certeza total enquanto ao sentido do Dharma e segurança perfeita enquanto sua expressão. Este é o seu poder de supremo conhecimento.
j) Finalmente, tendo formulado o Dharma como sistema de letras e palavras, podem satisfazer plenamente o espírito dos seres lhes ensinando todos, simultaneamente, e na língua que lhes convém a cada um. Este é seu poder do Dharma.
Comparadas a estas qualidades dos grandes Bodhisatwas às dos Budas são ainda mais elevadas. Ademais destes poderes, seus corpos possuem os trinta e dois marcas maiores e os oitenta signos menores de realização. Sua palavra possui sessenta qualidades características e tem também as dez forças, as quatro ausências de medo, as dezoito não confusões, etc.
Em conjunto possuem dez milhões de qualidades que provem do fato de que seu espírito está livre de todo véu e apreensão conceitual, assim como da maturação karmicas de sua virtude.
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Os 4 estados sublimes da mente
Dis o Sr. Buda:
Benevolência "Com pensamentos cheios de benevolência , preenche primeiro uma direção, logo uma segunda direção, depois uma terceira direção, logo uma quarta direção, logo acima, abaixo e todo redor. Ao se identificar com o todo, o discípulo preenche o universo inteiro com pensamentos de benevolência, com o coração que se tem tornado grande, amplo, ilimitado, e purificado de má vontade"
Compaixão. "Com pensamentos cheios de compaixão, preenche primeiro uma direção, logo uma segunda direção, depois uma terceira direção, logo uma quarta direção, logo acima, abaixo e todo redor. Ao se identificar com o todo, o discípulo preenche o universo inteiro com pensamentos de compaixão, com o coração que se tem tornado grande, amplo, ilimitado, e purificado de má vontade"
Gozosa simpatia "Com pensamentos cheios de gozosa simpatia, preenche primeiro uma direção, logo uma segunda direção, depois uma terceira direção, logo uma quarta direção, logo acima, abaixo e todo redor. Ao se identificar com o todo, o discípulo preenche o universo inteiro com pensamentos de gozosa simpatia, com o coração que se tem tornado grande, amplo, ilimitado, e purificado de má vontade"
Equanimidade "Com pensamentos cheios de equanimidade, preenche primeiro uma direção, logo uma segunda direção, depois uma terceira direção, logo uma quarta direção, logo acima, abaixo e todo redor. Ao se identificar com o todo, o discípulo preenche o universo inteiro com pensamentos de equanimidade, com o coração que se tem tornado grande, amplo, ilimitado, e purificado de má vontade".
"Exercita a prática da Bondade, pois pela sua prática toda inimizade será abandonada".
Exercita a prática da compaixão, pois assim todo vexame será abandonado.
Exercita a prática da simpatia, pôs assim todo desgosto e maus entendidos serão abandonados.
Exercita a prática de equanimidade, pois assim toda repulsa será abandonada.
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O precioso corpo humano
Diz-se que o corpo humano é precioso porque possui todas as qualidades que se necessitam para consagrar-se à prática do Dharma; tais qualidades se classificam em oito liberdades e dez aquisições.
As oito liberdades
Dizer que o precioso corpo humano tem oito liberdades significa que deve estar livre dos oitos estados de existência no qual não há tempo para treinar o Dharma.
Livre dos três estados onde somente existe sofrimento: o dos estados infernais, o dos espíritos ávidos, e o dos animais.
Livre da condição dos ateus que não conhecem nenhum Dharma.
Livre da condição dos deuses de longa vida que estão continuamente distraídos pelos desejos dos sentidos.
Livre da condição dos que não podem ter confiança na Lei do Karma ou, em geral, no Dharma e cujas crenças se opõem a este.
Livre do nascimento numa era escura, e dizer, na qual não aparece nenhum Buda.
Livre do estado de simples de espírito ou dos cegos e surdos mudos que enquanto à faculdade de compreender o Dharma, tem o fundamento de sua própria enfermidade.
As 10 aquisições.
Para ter um precioso corpo humano é necessário ademais ter adquirido outras dez qualidades.
Cinco que a caracteriza propriamente:
1) A obtenção da condição humana.
2) Um nascimento no centro, quer dizer, num pais onde o Dharma esteja difundido.
3) Possuir os cinco sentidos assim como a faculdade de compreender o que é ensinado.
4) A ausência de atividades que se contradigam com o Dharma.
5) Ter fé nas Três Jóias.
Outras cinco que estão relacionadas com fatores exteriores a ele.
1) Deve ter aparecido um Buda
2) Este Buda deve ter ensinado o Dharma
3) Sua doutrina deve estar viva em nossos dias.
4) Deve ter numerosos adeptos.
5) E graças a sua bondade e a sua fé, deve-se poder gozar de condições favoráveis para a prática.
Dificuldade de ter um corpo humano precioso
O raro deste precioso corpo humano se ilustra de três formas.
1) Considerando sua causa karmicas: Ter sabido manter uma conduta ética perfeitamente pura, são raros os que tem sido capazes.
2) Por relações quantitativas que indicam que entre todas as possibilidades de existência, o número de estados infernais é comparável ao dos grãos de pó que há encima da terra . O número de espíritos ávidos ao de grãos de areia do rio Ganges. O numero de animais aos de flocos de neve. O numero de seres dos três estados de existência superior é comparável ao de estrelas da noite. O numero dos que possuem um corpo humano precioso são tão raros como as estrelas que brilham ao pleno dia.
3) O Raro se ilustra com um exemplo; uma tartaruga cega que, vivendo no grande oceano, sai à superfície uma só vez a cada cem anos, teria mais possibilidades de introduzir sua cabeça no buraco de um pedaço de madeira à deriva que as que há para obter este precioso corpo humano.
Seu verdadeiro sentido
Assim este precioso corpo humano é tão raro que si agora que o temos obtido não nos consagramos a desprendermos de todo sofrimento do Samsara seguindo a via da liberação obtendo assim a beatitude eterna do estado de Buda, nosso comportamento será ainda pior que o de um homem necessitado que despreza tirar proveito de um enorme tesouro que acaba de descobrir.
Pelo contrario, se renunciamos agora a todas as atividades do Samsara, que trazem grandes preocupações muito pouco justificadas, e, sem pretender ou fingir conhecer a doutrina e meditação, obtemos o elixir do Dharma de um Lama realizado que se converta em nosso mestre espiritual poderemos, quando tenhamos assimilado os pontos essenciais do Dharma, levar até seu termo as duas acumulações de Karma positivo e de supremo conhecimento, assim como a purificação dos diferentes véus que escurecem nosso espírito e uma vez concluída as práticas das duas fases do processo de meditação conseguir que este precioso corpo humano chegue a ser suporte de nossa liberação e assim lhe dar seu verdadeiro significado.
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Estudo sobre a Mente
Temos uma certa noção superficial do que é a mente. Para nós, é o que experimenta o sentimento de existir, o que pensa "sou eu", "eu existo". É ainda o que é consciente dos pensamentos e sente os movimentos emotivos, aquilo que, segundo as circunstâncias, tem o sentimento de estar feliz ou infeliz. Fora disso, não sabemos o que é, verdadeiramente a mente. Talvez seja mesmo provável que nunca nos tenhamos feito essa pergunta.
A mente sente, não os órgãos
É evidente, em primeiro lugar, que a mente não tem existência material. Não é um objeto que se possa definir a cor, o tamanho, o volume ou a forma. Nenhuma dessas características é aplicável à mente. Não podemos apontar a mente com o dedo, dizendo: "É isso". Nesse sentido, a mente é vazia. Entretanto, que a mente seja desprovida de forma, de cor, etc, não é suficiente para concluir sobre sua não-existência, pois os pensamentos, os sentimentos, as emoções conflituosas que ela sente e que produz provam que alguma coisa funciona e existe, que a mente não é, portanto, somente vazia.
Logo, o que é esse sentimento de existir? Onde ele se situa? No exterior, ou mesmo no interior do corpo? Se ele se situa no interior do corpo, quem o sente? A carne, o sangue, os ossos, os nervos, as veias, os pulmões, o coração? Se vocês refletirem atentamente, irão admitir que nenhum membro, nem nenhum órgão reivindica sua própria existência, dizendo "eu". Assim, a mente não pode ser assimilada a uma parte do organismo. Tomemos o exemplo do olho. O olho não proclama sua própria existência. Ele não diz para si mesmo: "Eu existo", ou ainda: "É preciso que eu olhe uma determinada forma exterior; esta é bonita, aquela não o é; eu me apego a primeira e rejeito a segunda". O próprio olho não tem nenhuma vontade, não experimenta nenhum sentimento, nem apego, nem aversão. É a mente que tem o sentimento de existir, que percebe, julga, se apega ou rejeita. O mesmo vale para o ouvido e os sons, o nariz e os odores, a língua e os sabores, a pele e os contatos, o órgão mental e os fenômenos. Não são os órgãos que percebem, mas a mente.
O carro tem necessidade de um condutor
Os órgãos, inconscientes por natureza, não são a mente, são como uma casa na qual se mora. Os moradores são o que se chama de consciências:
consciência visual;
consciência auditiva;
consciência olfativa;
consciência gustativa;
consciência tátil;
consciência mental.
Essas consciências não existem de maneira autônoma. Elas nada mais são do que a mente.
Pode-se dizer ainda que o corpo é como um carro e a mente o seu condutor Quando o carro está desocupado, apesar de possuir todos os equipamentos para rodar - o motor, as rodas, o combustível, etc, - e de encontrar-se em perfeito estado de funcionamento, ele não pode ir a nenhum lugar. Do mesmo modo, um corpo desprovido de mente, mesmo que possua a totalidade dos órgãos, não passa de um cadáver. Apesar de ter olhos, ouvidos, um nariz, ele não pode ver, nem ouvir, nem cheirar.
Alguns pensarão que a morte não atinge apenas o corpo, mas também a mente: o primeiro torna-se cadáver, a segunda deixa simplesmente de existir. Mas não é o que ocorre. A mente não nasce, não morre, e não é atingida pela doença. É eterna. O que percebe as formas vistas pelo olho, os sons ouvidos pelo ouvido e os outros objetos através dos outros órgãos dos sentidos, o que é consciente, o que não é interrompido pela morte do corpo é, portanto, a mente. Como vimos, considerando-se que ela é destituída de qualquer característica material, não é possível designa-la como uma coisa visível e facilmente reconhecida, caso contrário alguém poderia mostrá-la para nós. De fato, possuindo uma mente, todos devemos consultar a nós mesmos e, guiados por um mestre, proceder a uma investigação que nos leve até a descoberta de que ela é verdadeiramente. Qual é sua forma, sua cor, seu volume? Ela está situada no exterior ou no interior do corpo? São questões que necessitam de uma resposta verificada pela experiência, mesmo se tivermos recebido previamente explicações teóricas como estas dadas aqui.
Escuta, reflexão, meditação
A prática do dharma compreende sempre três etapas, chamadas escuta, reflexão e meditação.
A escuta consiste em receber ensinamentos teóricos e instruções. Seu corolário indispensável é lembrar-se com fidelidade do que foi dito ou lido.
A reflexão consiste em proceder a um exame discursivo dos dados que recebemos ou ainda a uma investigação para tentar responder às questões colocadas. No caso presente, por exemplo, pesquisar a forma e a cor da mente, sua localização, seu grau de existência, etc.
A meditação acontece quando são alcançadas as conclusões pela reflexão. Ela deve ser não-discursiva e sem descontinuidade.
Essas três etapas constituem uma sucessão obrigatória. O que é exposto aqui pertence à fase da escuta. É necessário retê-la antes de abordar as etapas seguintes.
Para descrever a mente consideramos três aspectos:
sua essência: a vacuidade;
sua natureza: claridade;
seu modo de funcionamento: inteligência.
Vacuidade
A essência da mente é ser vazia. O que significa, como já foi dito, que ela não tem nenhuma existência material. Não tem forma, cor, volume, tamanho. É impalpável e indivisível, semelhante ao espaço.
Claridade
Todavia, a mente não é como um espaço obscuro que nem o sol, a lua ou as estrelas clareia, mas sim como o espaço diurno ou ainda como o espaço de uma sala iluminada.
É uma comparação, e apenas aproximada. Significa que a mente possui um certo poder de conhecer. Não é o próprio conhecimento, mas a claridade, a faculdade consciente, que o torna possível. Esse poder compreende, além disso, a faculdade de produzir a manifestação. Quando vocês pensam na América ou na Índia, sua mente tem a possibilidade de fazer nascer a imagem interior desses locais. Esse poder de conhecer e a faculdade de evocar são a claridade da mente. Graças à luz, vocês podem ver os objetos dentro da sala onde se encontram, estar conscientes da presença deles. Graças à claridade, a mente tem, do mesmo modo, a faculdade de conhecer.
O que entendemos por claridade da mente é ligeiramente diferente da claridade no sentido comum. Esta, de fato, permite unicamente o exercício da função visual, enquanto que a claridade da mente dá a possibilidade não somente de ver, mas também de ouvir, de sentir, de degustar, de tocar e estar consciente dos prazeres ou desprazeres do mental. Portanto, é uma claridade cujo campo de aplicação é extremamente vasto.
Inteligência sem obstrução
A sala onde vocês estão sentados contém vacuidade (o espaço da peça) e claridade (a iluminação). No entanto, não é suficiente para atribuir-lhe uma mente. Portanto, devemos encontrar um terceiro elemento de descrição. Para que a mente exista, deve-se acrescentar à vacuidade e à claridade, a inteligência sem obstrução. É esta inteligência que permite conhecer efetivamente cada coisa sem confusão. Não somente a mente tem consciência dos fenômenos - o que é a claridade - mas ela os reconhece sem confusão - o que é a inteligência. No espetáculo do que ela vê, por exemplo, ela sabe o que é o céu, o que é uma casa, o que é um homem, etc.
Sobre o suporte da vacuidade e da claridade, surge a inteligência sem obstrução. È a faculdade que identifica, avalia, compreende. É quem diz, por exemplo: "Isto é um objeto; ele é bonito ou ele é feio", identificação que se aplica também aos sons, dos quais se percebem a potência e a qualidade, aos odores agradáveis ou repugnantes, aos sabores e suas diferentes nuanças, às experiências mentais agradáveis ou desagradáveis.
Assim, a mente é conjuntamente vacuidade, claridade e inteligência.
Uma tal mente é pequena? Não, já que possui a faculdade de fazer aparecer e de abraçar todo o universo. Então, ela é grande? Também não podemos afirmá-lo, visto que, ao sentirmos uma dor muito localizada, num local do corpo preciso, provocada, digamos por uma picada, assimilamos nossa mente a esse local minúsculo, dizendo: "Sinto dor". Cada um identifica-se com seu corpo e a mente o penetra por inteiro: para um elefante, numa grande escala, para um inseto, numa pequena escala. De fato, a própria mente, fora de toda assimilação, não é nem pequena, nem grande. Escapa desse gênero de conceitos.
Essa mente fundamental é a mesma para todos os seres. Caso se reconheça o seu modo de ser, neste caso ela nada mais é do que o Despertar:
a vacuidade é o corpo absoluto (sânsc. dharmakaya);
a claridade é o corpo de glória (sânsc. sambhogakaya);
a inteligência, o corpo de manifestação (sânsc. nirmanakaya).
A unidade dos três componentes - vacuidade, claridade e inteligência - é o que se chama de "mente". É ainda o que se chama de tathagatagarbha, o potencial do Despertar. Quando os três componentes não são reconhecidos pelo que são, é o estado de ser ordinário.
A vacuidade se exprime então como mental, a claridade como palavra, a inteligência sem obstrução como corpo.
Os três componentes da mente pura se condensam nos três componentes da personalidade temporária. Pela meditação do mahamudra, a natureza verdadeira da mente é reconhecida e os três componentes se revelam como os três corpos do Despertar. Na verdade, um Buddha e um ser ordinário são idênticos. Possuem fundamentalmente a mesma natureza. Um Budhha a reconhece, um ser ordinário não. É a única diferença.
Seria muito longo examinar detalhadamente todas as implicações de natureza da mente, do ciclo das existências e da liberação.
Para resumi-las citamos Gampopa:
A mente sem criação artificial, é felicidade
A água sem poluição é pura.
Quando se deixa a mente permanecer tal qual em sua própria natureza, ocorre a felicidade interior. A água deixada em repouso é sem agitação e pura. A mente agitada por muitos pensamentos torna-se agitada; livre de uma superabundância de pensamentos, guarda sua limpidez própria. Nossa mente, enquanto vacuidade, claridade e inteligência, é perfeitamente boa em si mesma, naturalmente livre de sofrimentos. Mas nós não a reconhecemos. Pensamos: "Sou eu", e nós mesmos nos prendemos com a corda do ego, pensando então: "É preciso que eu seja feliz, que eu evite tudo o que é desagradável". Imobilizada nesta atitude, a mente torna-se como que contraída e cria seu próprio sofrimento.
Os quatro véus
Ainda que possuindo tathagatagarbha, ainda que sendo Buddha por natureza, por que não experimentamos as qualidades desta natureza, e somos afetados por todas as limitações de um ser ordinário? Isto se deve aos "véus". Quando apareceram esses véus? De fato, eles não têm origem, recobrem a mente desde que ela existe, ou seja, desde sempre.
O véu da ignorância
A mente fundamental é ainda chamada "o potencial da partida para a felicidade". Pertence a todos os seres. Não reconhecê-la é a ignorância e constitui o principal véu que recobre a mente. Nossos olhos permitem que vejamos, claramente, os objetos exteriores; entretanto, não podem ver nosso rosto nem ver a si mesmos. Da mesma maneira, a mente não se vê a si mesma, não se reconhece pelo que é. É este fato que chamamos o véu da ignorância.
O véu dos condicionamentos latentes
A primeira conseqüência da ignorância é a dualidade. Ali onde só há vacuidade, a mente concebe falsamente um eu, centro de toda experiência. Ali onde Sá há claridade, ela concebe objetos percebidos como outros. Este fenômeno pode ser compreendido mais facilmente se nos referirmos ao sonho. Não percebendo a verdadeira natureza do mundo onírico, nós o cindimos em dois: um sujeito ao qual nós nos assimilamos, e objetos que constituem um universo exterior. Dividindo a mente única em dois, vivemos no universo da dualidade sujeito-objeto. Este é o segundo véu, o dos condicionamentos latentes.
O véu das emoções conflituosas
Da noção de eu procede necessariamente a esperança de obter o que é agradável e que conforte o eu em sua existência, assim como o medo de não obter o que se deseja e viver situações ameaçadoras. Sobre o pólo eu se introduzem assim a esperança e o medo. O outro pólo da dualidade, a noção de outro, engloba todos os objetos dos sentidos: formas, sons, odores, sabores, contatos ou objetos mentais. Todo objeto percebido como agradável cria a alegria e todo objeto percebido como desagradável, o descontentamento, sentimentos que se transformam em apego e em aversão. Da dualidade eu-outro emanam portanto, a esperança e o medo, assim como o apego e a aversão. De fato, eles não vêm de nenhum lugar senão da vacuidade da mente e não têm, portanto, nenhuma existência material, nem nenhuma entidade própria. Não os reconhecendo, do mesmo modo que não reconhecemos a verdadeira natureza dos fenômenos, conferindo-lhes uma realidade indevida; é o que chamamos cegueira ou ainda opacidade mental.
Assim, chegamos a um grupo de três emoções conflituosas de base: apego, aversão e cegueira, de onde procedem três outras:
do apego, a cobiça;
da aversão, o ciúme;
da opacidade mental, o orgulho.
Isto resulta em seis emoções conflituosas principais. Todavia, considera-se que as três emoções conflituosas de base podem se subdividir de muitas maneiras.
Assim, atribui-se ao apego 21 mil ramificações relacionadas aos tipos de objetos aos quais ele se aplica: apego a uma pessoa, a uma casa, a um veículo, etc.
Do mesmo modo, desmembramos 21 mil variantes da aversão e da cegueira, assim como 21 mil emoções conflituosas compostas de um amálgama das três precedentes. Obtemos um total tradicional de 84 mil emoções conflituosas. Nossa mente é habitada, assim, por uma grande quantidade de emoções conflituosas, que constituem um véu suplementar.
O véu do karma
Sob o domínio das emoções conflituosas, cometemos todos os tipos de atos negativos com o corpo, a palavra e a mente, que formam o véu do karma.
Portanto, temos assim quatro véus que se engendram sucessivamente:
o véu da ignorância: a mente não reconhecendo a si mesma;
o véu dos condicionamentos latentes: a dualidade, ou seja, a cisão entre o eu e o outro;
o véu das emoções conflituosas: as 84 mil perturbações oriundas da dualidade;
o véu do karma: os atos negativos cometidos sob o poder das emoções conflituosas.
Pureza e desabrochar
Os véus que recobrem a mente fazem com que sejamos seres ordinários. Os Buddhas e os bodhisattvas do passado também eram, na origem, seres comuns. Eles seguiram mestres espirituais dos quais receberam instruções sobre a natureza da mente, meditaram e realizaram o mahamudra. Tendo se desfeito dos quatro véus, eles se tornaram puros e todas as qualidades inerentes à mente desabrocharam. Em tibetano, puro se traduz por sang e desabrochar por gye. A conjunção das duas sílabas forma a palavra que significa Buddha: Sang-gye, pureza e desabrochar. É uma via que está aberta para nós: podemos receber instruções, meditar e obter a realização do mahamudra, isto é, o Despertar. A exemplo de Milarepa, é possível percorrermos o caminho em uma única vida.
Sinais da vacuidade
Aquele que realiza a verdadeira natureza da mente compreende ao mesmo tempo em que todos os fenômenos, as coisas e os seres, os universos e todos aqueles que os povoam, são apenas uma produção da mente, vazia em sua essência.
Um certo número de sinais nos indicam a vacuidade da mente e a ausência de entidade própria dos fenômenos, mas, geralmente, não prestamos atenção neles.
No momento da concepção, quando a mente entra no ventre da mãe, os pais não podem vê-la. Nenhum efeito materialmente perceptível permite revelar sua vinda. No momento da morte, do mesmo modo, mesmo que o moribundo esteja rodeado de muitas pessoas, ninguém vê a mente sair do corpo. Ninguém poderia dizer: "Ela saiu por aqui", ou ainda: "Ela saiu por ali".
Talvez vocês tenham estudado durante muitos anos e armazenado muitos conhecimentos. No entanto, eles não estão dentro de um armário, de uma casa ou do peito. Não estão em parte alguma, pois são desprovidos de existência em si mesmos. Eles estão armazenados na vacuidade.
À noite, adormecidos, sonhamos e vemos um mundo inteiro, com paisagens, cidades, homens, animais, e todos os objetos dos sentidos, aos quais adicionamos um movimento emocional feito de desejo, de aversão, etc. Durante o próprio sonho, somos persuadidos da existência real de todos os fenômenos oníricos. Entretanto, uma vez acordados, eles desaparecem. Não existem em parte alguma fora da mente daquele que sonha. É o mesmo processo que se desenvolve durante o bardo do vir-a-ser. Formas, sons, odores, sabores, etc são percebidos como reais. As aparências manifestadas durante a vida que se completou não têm mais existência. Depois, quando a mente entra de novo em uma matriz, são então as aparências do bardo que se desfazem e não existem mais em parte alguma.
Três suportes de existência
A vigília, o sonho e o bardo de fato não têm realidade em si: são apenas manifestações da mente aos quais conferimos, erroneamente, uma entidade própria. Esses três estados são descritos como três corpos:
O "corpo de maturidade kármica" designa o corpo e o ambiente percebidos durante o estado de vigília, que são o resultado, depois de um longo processo de amadurecimento, de karmas acumulados em vidas passadas.
O "corpo dos condicionamentos latentes" se refere ao corpo e ao ambiente do sonho.
O "corpo mental", enfim, designa o corpo e a experiência do bardo, regidos unicamente pelo pensamento.
Pela sucessão contínua desses três corpos se desenvolve nossa experiência no ciclo das existências, falsamente tomada como real.
Consciência primordial, consciência individualizada
O fundamento da mente é bom em si mesmo. É a natureza do Despertar, semelhante à água pura.
Buddha disse:
Todos os seres são Buddha,
Mas a mente deles é obscurecida por impurezas adventícias;
Dissipadas as impurezas, eles são verdadeiramente Buddha.
A ignorância é o não reconhecimento da natureza Desperta da mente. Dela procedem todas as emoções conflituosas (desejo, cólera, ciúme, etc) , assim como o fluxo dos pensamentos em modo dual. A natureza de Buddha da mente é ainda chamada potencial de consciência primordial. Entretanto, por causa da ignorância e da apreensão dual, seu funcionamento perturbado torna-se um potencial de consciência individualizado. Quando uma água pura é misturada com lama, ela perde sua qualidade de pureza e torna-se suja. Do mesmo modo, por causa das impurezas, a consciência primordial torna-se consciência individualizada.
Consciências diferenciadas
Essa consciência individualizada é, enquanto modo de funcionamento, uma unidade designada pelo termo "potencial de consciência individualizada". Dessa unidade, procedem, entretanto, sete consciências individualizadas diferenciadas, assim como os dedos são diferenciações de uma única mão. Elas são:
a consciência visual, que percebe as formas;
a consciência auditiva, que percebe os sons;
a consciência olfativa, que percebe os odores;
a consciência gustativa, que percebe os sabores;
a consciência tátil, que percebe os contatos;
a consciência mental, que identifica os fenômenos pelo pensamento;
a consciência perturbada, que interpreta a percepção em termos de desejo, aversão, ciúme, etc.
Os órgãos oriundos das consciências
Da faculdade de manifestação da mente surge o corpo. Os dois estão, portanto, estreitamente ligados. A existência das oito consciências na mente origina a existência no corpo dos suportes físicos correspondentes que são os órgãos dos sentidos. Os órgãos são semelhantes às casas, inertes em si, e as consciências aos homens que as habitam. Temos então:
os olhos como suporte da consciência visual;
os ouvidos como suporte da consciência auditiva;
o nariz como suporte da consciência olfativa;
a língua e o paladar como suportes da consciência gustativa;
a epiderme como suporte da consciência tátil;
o órgão mental como suporte da consciência mental, ainda que aqui o órgão e a consciência se confundam na prática.
Quanto ao potencial de consciência individualizada e à consciência perturbada, elas não possuem órgão correspondente que lhes seja próprio. Pode-se dizer que o primeiro tem como suporte o corpo em geral e a segunda, o conjunto dos órgãos dos sentidos.
Os objetos dos sentidos
Enfim, as consciências encontram seu reflexo, do ponto de vista exterior, nos objetos dos sentidos:
as formas são o objeto da consciência visual;
os sons, o objeto da consciência auditiva;
os odores, o objeto da consciência olfativa;
os sabores, o objeto da consciência gustativa;
os contatos, o objeto da consciência tátil;
os fenômenos mentais (os pensamentos), o objeto da consciência mental.
Os fenômenos exteriores podem também ser vistos como objetos do potencial de consciência individualizada, e os fenômenos, enquanto objetos das emoções conflituosas, como reflexos exteriores da consciência perturbada.
Quando a mente é obscurecida pela ignorância, seu modo de funcionamento e de reação com o mundo é regido, assim, por um processo em três níveis:
interiormente: as consciências individualizadas;
no nível intermediário: os órgãos dos sentidos;
exteriormente: os objetos dos sentidos.
Kalu Rinpoche. Ensinamentos Fundamentais do Budismo Tibetano: Budismo Vivo, Budismo Profundo, Budismo Esotérico. Tradução de Célia Gambini, revisão técnica de Antonio Carlos da Ressurreição Xavier. Brasília: Shisil, 1999.
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