Jardim do Dharma - Kagyü Dak Shang Chöling
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JANGÖN KONGTRÜL LODRÖ THAYE [1813-1899]
 
Conselhos O relacionamento entre mestre e discípulo A devoção que move o coração
 
Quando você tem liberdade de escolha, cai sob a influência de outros
E exaure a sua vida preparando-se para praticar o Dharma.
Sequioso de comidas e roupas,
Estudo, reflexão e meditação sobre o Dharma são protelados.
Procurando defeitos nos que lhe são mais queridos,
Seus votos e samaya são quebrados.
Sempre num bate boca ocioso,
Suas orações e recitações se perdem para sempre,
Seus pensamentos são cada vez mais vazios,
Os estágios de geração e perfeição se apagam e somem no céu,
Nada do que você faz merece alusão,
Nada de significativo nas suas intenções.

Contudo, agora, gente assim como eu, monges nos seus hábitos,
Meditantes tendo em mãos seus malas,
Grandes yogis cujas mentes não se mantêm no seu estado natural,
Homens vestidos de lamas, praticando rituais em aldeias em troca de ofertas.
Ainda que, com a graça das Três Jóias,
O estômago esteja cheio, você padece interiormente.
As roupas são atraentes, mas não prestam serviço à mente.
Possuindo tudo o que quer, a fortuna não lhe traz benefícios.
Passando esta vida em estado de felicidade, na outra você sofrerá.


Porque o Dharma que é benéfico tanto agora como para sempre,
Ainda que haja quem o explique, não há ninguém que o ouça;
Ainda que haja quem o ouça, não há ninguém que o compreenda;
Quando compreendem em parte, são poucos os que praticam;
Entre os que praticam, são raros os que chegam ao fim;
Entre os que podem explicá-lo, são ainda mais raros os que praticam.

Homem, cujo karma inferior se revela no que quer que faça,
Como quer que o miremos, vemos a decrepitude de uma idade decadente.
Nos tempos que correm, se você completa uma única ação condizente com o Dharma,
Você é digno de ser chamado homem
E realiza a sua aspiração imutável e irreversível.

Impressionado com o seu próprio e surpreendente comportamento, assim como o dos demais nestes tempos decadentes, sentindo náuseas e vontade de chorar perante esta nuvem turbulenta de indecisão, [Jamgön Kongtrül] Lodrö Thaye [1813-1899] proferiu espontânea e livremente estas palavras na solidão de uma montanha




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